Manchetes Socioambientais
As notícias mais relevantes para você formar sua opinião sobre a pauta socioambiental
“O encontro entre índios e brancos só se pode fazer nos termos de uma necessária aliança entre parceiros igualmente diferentes, de modo a podermos, juntos, deslocar o desequilíbrio perpétuo do mundo um pouco mais para frente, adiando assim o seu fim.”
Eduardo Viveiros de Castro, antropólogo, um dos fundadores do ISA
O tema "Povos Indígenas" está na origem da existência do Instituto Socioambiental. Lá se vão pelo menos quatro décadas de comprometimento e trabalho com o tema, produzindo informações para a sociedade brasileira conhecer melhor seus povos originários. Desde sua fundação, em 1994, o ISA dá continuidade ao trabalho do Centro Ecumênico de Documentação e Informação (Cedi), que havia sido iniciado em 1980 e que, por sua vez, remonta ao começo dos anos 1970, quando o então governo da ditadura militar lançava o Plano de Integração Nacional, com forte componente de obras de infraestrutura na Amazônia, região que era então descrita pelo discurso oficial como um "vazio demográfico".
Por meio dos relatos coletados, dados produzidos e pesquisas empreendidas por uma rede de colaboradores espalhada pelas diversas regiões do País, o Cedi ajudou a derrubar essa tese. Ao dar publicidade às informações levantadas por essa rede social do tempo do telex, o Cedi colocou, definitivamente, os povos indígenas e suas terras no mapa do Brasil. Seus integrantes ainda participaram ativamente no movimento de inclusão dos direitos indígenas na Constituição de 1988 e, juntamente com integrantes do Núcleo de Direitos Indígenas (NDI) e ativistas ambientais, fundaram o ISA em 1994.
De lá para cá, ampliando sua rede de colaboradores em todo o País, o ISA se consolidou como referência nacional e internacional na produção, análise e difusão de informações qualificadas sobre os povos indígenas no Brasil. O site "Povos Indígenas no Brasil", lançado em 1997, é a maior enciclopédia publicada sobre as etnias indígenas no Brasil, com suas línguas, modos de vida, expressões artísticas etc. O site é uma das principais referências sobre o tema para pesquisadores, jornalistas, estudantes e acadêmicos.
A atuação hoje é transversal aos territórios onde atuamos, especialmente na Bacia do Xingu, no Mato Grosso e Pará, e Bacia do Rio Negro, no Amazonas e Roraima, e também envolve povos indígenas de todo o Brasil, por meio da atualização permanente do site e de seus mais de 200 verbetes, inclusão de novos textos sobre etnias emergentes e indígenas recém-contatados, além do monitoramento e cobertura jornalística sobre situações de violência e perda de direitos contra estas populações. O tema "Povos Indígenas" ainda é tratado no site "PIB Mirim", voltado ao público infanto juvenil e de educadores.
O monitoramento de Terras Indígenas também é um eixo central do nosso trabalho com o tema, e remonta à sistematização de dados e divulgação de informações iniciada pelo Cedi em 1986, e se dá por meio da produção de livros impressos e mapas temáticos sobre pressões e ameaças, como desmatamento, mineração, garimpo, obras de infraestrutura, entre outras, além do site "Terras Indígenas no Brasil".
Confira os conteúdos produzidos sobre este tema:
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Em formato de enciclopédia, é considerado a principal referência sobre o tema no país e no mundo |
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A mais completa fonte de informações sobre o tema no país |
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Site especial voltado ao público infanto-juvenil e de educadores |
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Painel de indicadores de consolidação territorial para as Terras Indígenas |
Espaço traz galerias de fotos, vídeos e notícias dos principais acontecimentos da luta Yanomami e Ye'kwana
Neste 19 de abril, Dia Nacional dos Povos Indígenas, em que se comemora a diversidade cultural, ancestralidade, preservação da história, luta pelos direitos e resistência contra todas as formas de violência, preconceito e discriminação aos povos indígenas, a Hutukara Associação Yanomami (HAY) lança o novo site da organização mais representativa do povo Yanomami e Ye’kwana, presidida pelo xamã e liderança política, Davi Kopenawa Yanomami.
Acesse a página: https://hutukarayanomami.org
O novo layout traz sete sessões, onde o público pode encontrar quem são os povos Yanomami e Ye’kwana, quem é a Hutukara e as principais linhas de trabalho, além de mapas com localização do território, delimitação, comunidades, áreas afetadas pelo garimpo e ainda conhecer as lideranças que estão à frente da HAY.
O vice-presidente da HAY, Dário Vitorio Kopenawa, disse que a nova página é uma ferramenta fundamental para dar visibilidade aos trabalhos da associação, que completa 20 anos em novembro deste ano. “Importante para mostrar o trabalho da Hutukara, principalmente para os não indígenas para olhar, conhecer e respeitar. É o fruto do nosso trabalho. Estudantes, autoridades, acadêmicos, pesquisadores vão conhecer as atividades que estamos promovendo, os nossos compromissos e prioridades. Mostrar para a sociedade o trabalho que a Hutukara vem fazendo há muito tempo”, destacou.
Ações de proteção territorial, produtos da floresta e governança institucional estão entre as linhas de trabalho da HAY, disponíveis na nova página eletrônica. Diante da invasão do garimpo, uma das principais ações da Hutukara tem sido a implantação de atividades de proteção ao território. Ano passado jovens Yanomami e Ye’kwana, que vivem nas calhas do Rio Uraricoera, regiões mais afetadas pela mineração ilegal, participaram de oficinas de operadores de drones, com o objetivo de mapear e registrar a presença dos invasores, nessa mesma linha foi instalado o sistema de alerta na Terra Yanomami, que registra e denuncia situações vulneráveis de saúde, ambiental e territorial.
Localizada ao extremo norte do Brasil, na fronteira com a Venezuela, a Terra Indígena Yanomami é a maior do Brasil, com mais de nove milhões de hectares e atualmente com uma população de cerca de 32 mil habitantes, entre os povos Yanomami e Ye’kwana. O diretor-financeiro da HAY, Maurício Ye’kwana, nascido na comunidade Fuduwaaduinha, na região de Auaris, vem atuando na Hutukara desde 2008. “Credibilidade e facilidade nas informações, o site é um grande avanço de um novo momento para a Hutukara. Como representante do povo Ye’kwana, acredito que esse trabalho da comunicação vai facilitar as nossas ações junto a outras associações indígenas, parceiros e apoiadores”.
O site traz galerias de fotos e vídeos dos principais acontecimentos da associação e faz conexões com as redes sociais da Hutukara o Instagram, Facebook e Youtube, que traz as principais notícias e ações cotidianas realizadas.
“A Terra Yanomami completou 30 anos, a Hutukara vai fazer 20 anos esse ano e tudo isso fica e vai ficar registrado no nosso site. Uma rede de comunicação muito grande para colocarmos a nossa história de luta e de conquista, de conhecimento da tradição e cultura, resistência, xamanismo, línguas. Uma conquista não somente nossa, mas de todos os povos indígenas do Brasil”, finaliza Dário Vitorio Kopenawa.
O layout do site é da artista Raquel Uendi, que já realiza trabalhos junto aos povos indígenas e é responsável também pelo site da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
A Hutukara é o principal parceiro estratégico do Instituto Socioambiental (ISA) em Roraima.
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Liderança da Terra Indígena Las Casa (PA), Tuire esteve à frente da luta contra a construção de hidrelétricas no Xingu
Em 1989, Tuire Kayapó, liderança da Terra Indígena Las Casas (PA), esteve à frente da luta contra a construção de hidrelétricas no Xingu, em especial do projeto da Usina Hidrelétrica Kararaô, que mais tarde se tornou a Usina de Belo Monte.
Foi nesse ano que a liderança Kayapó protagonizou o icônico registro em que brada seu facão contra o rosto do então presidente da Eletronorte, José Antônio Muniz Lopes, em um gesto que marcou para sempre a resistência dos povos indígenas.
Hoje, aos 56 anos, a grande guerreira Kayapó luta pela sua vida e enfrenta um câncer no colo do útero, uma doença que representa 7,5% das mortes femininas por cânceres, com estimativa de 311 mil mortes por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Durante toda sua vida Tuire defendeu incansavelmente os direitos da floresta amazônica e de seus povos: “As florestas, os rios, os povos indígenas: é a sobrevivência deles que eu defendo até hoje”, afirmou em entrevista para o #ElasQueLutam.
Para que Tuire Kayapó continue a lutar pelos direitos dos povos da floresta, ela precisa de apoio para enfrentar o câncer.
Convidamos você a fazer parte desse movimento pela vida de Tuire Kayapó! Doe e compartilhe essa campanha
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Dados prévios da nova edição do Mapa das Organizações de Mulheres Indígenas serão apresentados para checagem coletiva durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília
Com o objetivo de colocar as organizações de mulheres indígenas no mapa, a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga) em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA) realiza, entre os dias 22 e 26 de abril, uma checagem e validação coletiva dos dados prévios da 2ª edição do Mapa das Organizações de Mulheres Indígenas no Brasil, durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.
A ação acontece na tenda da Anmiga e durante a plenária "Mulheres Biomas na construção de agendas rumo a COP 30", na terça-feira (23/04), às 16h.
Os dados apresentados são uma continuação da primeira edição do Mapa, de 2020, que registrou 92 organizações em 21 Estados. Por meio de uma nova metodologia, a segunda edição parte de um levantamento colaborativo inédito realizado junto à Anmiga. “A estimativa é que o número de organizações cresça três vezes, demonstrando a força do movimento das mulheres indígenas no país”, aponta Luma Ribeiro Prado, analista no Programa Povos Indígenas no Brasil do ISA.
A ação compõe uma das fases essenciais para consolidação da nova edição do Mapa, que tem previsão de ser lançado em setembro e tem como objetivo ampliar a visibilidade dessas associações e seus territórios de atuação.
O ATL, onde a ação será sediada, chega em sua 20ª edição em 2024. Desde 2016, o evento conta com uma plenária de mulheres, onde indígenas de diferentes povos se articulam para fortalecer a atuação nos territórios. Foi a partir desses encontros que, em 2019, nasceu a I Marcha das Mulheres Indígenas. A Marcha, atualmente, é considerada a maior mobilização de mulheres indígenas do país, e levou mais de oito mil pessoas às ruas de Brasília em 2023.
Articuladora da Marcha das Mulheres Indígenas e parceira na produção do mapa, a Anmiga é uma organização de mulheres originárias dos seis biomas do País – Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pampa e Pantanal. Por meio de uma construção coletiva, elas buscam fortalecer a luta pelo bem viver e por seus territórios, a partir do protagonismo das mulheres e da valorização de seus saberes tradicionais.
O novo mapeamento torna evidente o crescimento e fortalecimento de organizações, associações, coletivos, movimentos, departamentos e secretarias de mulheres indígenas. Em 2023, essas mobilizações foram tema de destaque no livro Povos Indígenas no Brasil 2017-2022, do ISA, que, além do encarte temático, também abarcou os resultados encontrados no levantamento realizado para a primeira edição do Mapa, em 2020.
Serviço
O quê? Mapeamento de Organizações de Mulheres Indígenas no ATL 2024
Onde? Tenda da Anmiga no ATL (Complexo Cultural da Funarte, em Brasília)
Quando? 22 a 26 de abril, manhã e tarde
Contato: Mariana Soares (marianasoares@socioambiental.org)
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Documentário centrado em ritual dos Yanomami é inspirado no livro de mesmo nome escrito pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa e o antropólogo francês Bruce Albert
“A Queda do Céu”, filme que leva o mesmo nome do livro escrito pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa e o antropólogo francês Bruce Albert, foi selecionado para estrear na mostra Quinzaine des Cineàstes – paralela ao Festival de Cannes, na França. A Aruac Filmes, produtora do documentário, fez o anúncio nesta terça-feira (16/04).
Criado em 1946, o Festival de Cannes é um dos mais famosos e prestigiados festivais de cinema do mundo. A 77ª edição está marcada para acontecer de 14 a 25 de maio neste ano. A data para primeira exibição de “A Queda do Céu” ainda deve ser anunciada.
O documentário, dirigido por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, é centrado na festa Reahu, ritual funerário e a mais importante cerimônia dos Yanomami, que reúne centenas de parentes dos falecidos com a finalidade de apagar todos os rastros daquele que se foi e assim colocá-lo em esquecimento.
“É um filme onde a câmera não olha só para os Yanomami, mas para nós não indígenas também. E isso sempre foi um fundamento do filme tanto para mim quanto para Eryk. Trabalhamos para fazer um filme que expressasse a materialidade onírica de uma relação”, explica Gabriela.
A partir de três eixos fundamentais do livro (Convite, Diagnóstico e Alerta), o filme apresenta a cosmologia do povo Yanomami, o mundo dos espíritos Xapiri pë, o trabalho dos xamãs para segurar o céu e curar o mundo das doenças produzidas pelos não- indígenas, o garimpo ilegal, o cerco promovido pelo povo da mercadoria e a vingança da Terra.
Lançado em 2010, originalmente em francês, “A Queda do Céu: Palavras de um Xamã Yanomami” reúne reflexões de Davi Kopenawa, contadas ao seu amigo Bruce Albert, sobre o contato de seu povo com os não indígenas desde os anos 1960.
“O filme é um diálogo com o livro homônimo de Davi Kopenawa, xamã Yanomami e um dos maiores líderes indígenas do mundo, e Bruce Albert, antropólogo francês. A obra é considerada por muitos especialistas como uma das mais importantes da contemporaneidade”, explica a Aruac Filmes.
Além da produção da Aruac Filmes, o filme conta com apoio do Instituto Socioambiental (ISA), co-produção da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e Stemal Entertainment com Rai Cinema e produção associada de Les Films d'ici.
Sobre os diretores
Eryck Rocha, é natural de Brasília e já disputou a Palma de Ouro de melhor curta-metragem por “Quimera” em 2004. Além disso, recebeu o L'Œil d'or (Olho de Ouro) de melhor documentário no Festival de Cannes por ‘Cinema Novo’ em 2016.
Gabriela Carneiro da Cunha, nasceu no Rio de Janeiro e faz sua estreia em direção de cinema com “A Queda do Céu”. A artista também é atriz e idealizadora do projeto Margens - sobre Rios, Buiúnas e Vagalumes por meio do qual desenvolveu as peças “Guerrilha” e “Altamira 2042”.
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Maior e mais antigo evento de arte do mundo conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki
Trinta e uma obras de artistas Yanomami serão exibidas na 60ª Bienal de Arte de Veneza - o maior e mais antigo evento de arte do mundo - de 20 de abril a 24 de novembro de 2024. Intitulada Foreigners everywhere (Estrangeiros em todos os lugares), a Bienal conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki.
Joseca participa da pré-abertura do evento de 16 a 19 de abril a convite da própria Bienal de Veneza e com apoio da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e da Galeria Millan. A edição dará visibilidade a artistas de grupos marginalizados como indígenas, imigrantes e refugiados.
Taniki também foi convidado pela Bienal de Veneza, no entanto, tem mais de 80 anos e não poderá comparecer pela sensibilidade de sua idade. Além de artista, Taniki também é um xamã que vive no Alto Rio Catrimani - região onde a arte dos desenhos foi apresentada pela fotógrafa Claudia Andujar - e que produziu a maior parte de suas obras dos anos 1970 a 1980.
A participação do artista na abertura do evento é considerada fundamental para reconhecimento da trajetória dele e para a divulgação da luta yanomami no âmbito internacional.
“Estou muito feliz nesta viagem para participar [da Bienal de Veneza]. É uma felicidade muito grande”, disse Joseca pouco antes de embarcar no aeroporto em São Paulo com destino a Veneza.
Os desenhos que farão parte da exposição foram cedidos pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP), que há três anos adquiriu 92 obras de Joseca e em 2022 realizou a exposição “Joseca Yanomami: Nossa Terra-Floresta”.
O repertório do artista Yanomami é composto pelas inspirações da cosmologia de seu povo, fazendo referência aos cantos, mitos xamânicos, a floresta, a defesa do território e os sonhos.
Sobre Joseca Yanomami
Nascido na década de 1970, na região do Demini, Terra Indígena Yanomami, e membro da comunidade Watorikɨ, Joseca é um notável artista de seu povo. Há mais de duas décadas, ele começou a desenhar e esculpir animais em madeira.
“Quando eu aprendi a desenhar, eu ouvia os pajés cantando e eu gravava na minha cabeça para desenhar depois”, Joseca contou ao ISA em 2021. “Desenho os parentes, os animais, árvores, os passarinhos, araras, macacos, antas, peixes”.
Joseca também é o primeiro estudioso de línguas de sua comunidade e foi professor em Watorikɨ no início dos anos 1990. Além disso, foi o primeiro Yanomami a trabalhar na área de saúde.
Histórico de exposições com obras de Joseca Yanomami
- Yanomami: O Espírito da Floresta - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2003
- Histórias de Verão - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2012
- Histórias Mestiças - Instituto Tomei Ohtake, São Paulo, Brasil - 2014
- Nós, as Árvores - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Paris, França - 2019
- Mundos Indígenas - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil - 2020
- Árvores - Power Station of Art / Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Xangai, China - 2021
- Moquém Surari: Arte Indígena Contemporânea - Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil - 2021
- Seres enraizados - Wellcome Foundation, Londres, Inglaterra - 2022
- Os Vivos - Fundação Cartier para Arte Contemporânea, Lille, França - 2022
- Joseca Yanomami: Nossa Terra-Floresta - Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, Brasil - 2022
- Histórias Brasileiras - Museu de Arte de São Paulo, Assis Chateaubriand, Brasil - 2022
- Siamo Foresta - Fundação Cartier para Arte Contemporânea e Triennale de Milano, Itália - 2023
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Vozes indígenas e não indígenas contam ao longo de quatro episódios como mais a epidemia foi enfrentada na região
Com múltiplas vozes indígenas e não indígenas, o podcast A Nova Doença dos Brancos traz relatos das pessoas que viveram a pandemia da Covid-19 no Alto Rio Negro (AM), uma das áreas mais remotas da Amazônia brasileira, e reflete sobre a resistência dos povos originários frente a esta e outras epidemias.
Com quatro episódios semanais, a narrativa debate visões indígenas sobre a doença e a cura. Confira a seguir:
Episódio 1: A chegada do vírus
Apresenta a chegada da Covid-19 em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, as estratégias adotadas pela sociedade civil, organizada e liderada pelo movimento indígena local, para conter o avanço da doença e as dificuldades enfrentadas em relação à propagação de fake news sobre a pandemia.
Ouça "A chegada do vírus" no Spreaker.
Episódio 2: As epidemias do passado
Relembra a história de epidemias do passado, que chegaram ao Brasil com a invasão europeia e avançaram sobre os territórios indígenas. Narrativa mostra como a chegada da Covid-19 despertou traumas antigos e enraizados na população indígena dos diversos genocídios vivenciados.
Ouça "As epidemias do passado" no Spreaker.
Episódio 3: As práticas terapêuticas indígenas
Trata das estratégias indígenas para fazer frente ao avanço do vírus, sobretudo da mobilização de conhecimentos e práticas tradicionais que fazem parte do repertório local de ações voltadas para combater doenças estrangeiras.
Episódio 4: Um balanço da pandemia no Rio Negro
Apresenta um resumo da epidemia na região com uma homenagem aos que se foram e aos que lutaram contra a pandemia e mostra como a mobilização social produziu uma reconexão com saberes ancestrais, combinada a uma organização política extremamente capilarizada no território, que trouxe maior segurança para seguir sendo indígena no séc. XXI.
O podcast está sendo lançado junto com a quinta edição da Aru - Revista de Pesquisa Intercultural da Bacia do Rio Negro, e com o minidocumentário Cura. Juntos, os três produtos compõem o conteúdo Memoráveis: resistência, estratégias e saberes indígenas no combate à Covid-19 no Rio Negro.
Os participantes do podcast também incluem especialistas não-indígenas, que apresentam o histórico das doenças que chegaram aos povos indígenas no Brasil, a persistente omissão dos órgãos públicos em prover condições básicas para a saúde indígena e as relações entre a pandemia e a crise climática que nos afeta.
Esse podcast faz parte do projeto “O Museu Relacional: compartilhando conhecimentos sobre a epidemia e outras crises no Alto Rio Negro”, com pesquisa coordenada pelos antropólgos do Museu de Berlim Andrea Scholz e Thiago da Costa Oliveira e do antropólogo do Instituto Socioambiental (ISA), Aloisio Cabalzar.
O trabalho conta ainda com a rede dos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs), ligados ao ISA e à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).
Ficha Técnica
Direção: Thiago da Costa Oliveira
Roteiro: Thiago da Costa Oliveira, Mariana Pinheiro e Felipe Barros
Produção: Flávia Heins
Narração: Naiara Alice Bertoli e Thiago da Costa Oliveira
Pesquisa de campo: Naiara Alice Bertoli
Decupagem a partir de entrevistas transcritas pelo Audiotex: Guilherme Pedroso
Trilha sonora, desenho e edição de som: Felipe Barros
Mixagem: Alexandre Jardim
Coordenação local de pesquisa: Andreia Damasceno e Mauro Pedrosa, povo Tukano.
Financiamento: Fundo "Corona Crisis and Beyond – Perspectives for Science, Scholarship and Society" da Fundação Volkswagen, da Alemanha.
Serviço
Lançamentos
Loja Floresta no Centro (ISA)
Data: 05/04, às 19h
Endereço: Av. São Luiz, 187 - Galeria Metrópole - Centro Histórico de São Paulo / SP
*Roda de conversa com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré, e com o antropólogo Aloisio Cabalzar.
Faculdade de Saúde Pública da USP
Data: 19/04 - Dia dos Povos Indígenas, às 16h
Endereço: Anfiteatro Paula Souza - Rua Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo / SP
*Roda de conversa com a antropóloga e liderança Francy Baniwa e com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré.
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Especial reúne revista, documentário e podcast; lançamento acontece no dia 5 de abril em São Paulo
Da arrumação xamânica do mundo até a chegada da vacina contra a Covid-19, a resistência indígena no Médio e Alto Rio Negro (AM) enfrentou um longo caminho de omissões, mas também de colaboração e compartilhamento de saberes.
Para retratar esse cenário, será lançado em abril, Mês dos Povos Indígenas, o especial Memoráveis: resistência, estratégias e saberes indígenas no combate à pandemia de Covid-19 no Rio Negro, composto pela 5ª edição da Aru – Revista de Pesquisa Intercultural da Bacia do Rio Negro e o documentário Cura, desenvolvidos em parceria pelo Instituto Socioambiental (ISA) e a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), além do podcast A Nova Doença dos Brancos, feito em parceria com o Museu Etnográfico de Berlim.
O podcast A Nova Doença dos Brancos tem lançamento previsto para o dia 5 de abril. Acompanhe nas redes sociais do ISA.
Trazendo relatos de indígenas e não indígenas, os três produtos se complementam para retratar o cenário pandêmico no Rio Negro e a estratégia dos povos indígenas de resistência e proteção frente à crise sanitária numa das regiões mais preservadas da Amazônia, onde vivem 750 comunidades indígenas (algumas delas remotas) de 23 etnias.
Serviço
Lançamentos
Loja Floresta no Centro (ISA)
Data: 05/04, às 19h
Endereço: Av. São Luiz, 187 - Galeria Metrópole - Centro Histórico de São Paulo / SP
*Roda de conversa com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré, e com o antropólogo Aloisio Cabalzar.
Faculdade de Saúde Pública da USP
Data: 19/04 - Dia dos Povos Indígenas, às 16h
Endereço: Anfiteatro Paula Souza - Rua Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo / SP
*Roda de conversa com a antropóloga e liderança Francy Baniwa e com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré.
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Editada pelo ISA e pela Foirn, a Aru 5 traz as estratégias dos povos indígenas do Rio Negro para proteger vidas em um cenário de omissão
Da arrumação xamânica do mundo até a chegada da vacina contra a Covid-19, o enfrentamento à pandemia na região do Médio e Alto Rio Negro, Amazonas, percorreu um longo caminho serpenteando rios, igarapés, igapós e corredeiras – com turbulência, omissão e mortes –, resistência indígena e colaboração.
Com textos de indígenas e não indígenas, a 5ª edição da Aru – Revista de Pesquisa Intercultural da Bacia do Rio Negro, editada em parceria pelo Instituto Socioambiental (ISA) e Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn), retrata esse cenário e a memorável estratégia indígena de resistência e proteção frente à crise sanitária numa das regiões mais preservadas da Amazônia, onde estão os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos e cerca de 750 comunidades (algumas delas remotas) onde convivem povos de 23 etnias.
A Aru 5 tem edição da jornalista do Instituto Socioambiental (ISA), Ana Amélia Hamdan, em colaboração com Aloisio Cabalzar, Juliana Radler, Dulce Morais e Carla Dias. Com o filme Cura e o podcast A Nova Doença dos Brancos, a Aru compõe o especial Memoráveis: resistência, estratégias e saberes indígenas no combate à pandemia de Covid-19 no Rio Negro.
Adquira as outras edições da Revista Aru
Volume 1
Volume 2
Volume 3
Volume 4
Essa edição é lançada em 2024 – quatro anos após o início da pandemia –, com a perspectiva de que não é possível deixar de lembrar da crise sanitária, especialmente frente à emergência climática e a um modelo de desenvolvimento que nos coloca cada vez mais diante do risco de novas epidemias.
Diante da falta de resposta da ciência do não indígena, à quase ausência de ações de órgãos oficiais e de um Governo Federal negacionista e anti-indígena, os povos do Rio Negro fortaleceram parcerias. A proteção veio também do entendimento sofisticado de saúde, que incorpora ambiente, natureza, saberes ancestrais, cosmologia e bem-viver.
A mobilização pelo mínimo de estrutura e oxigênio ocorreu num esforço interinstitucional de órgãos públicos – especialmente de profissionais da saúde da linha de frente - e de organizações da sociedade civil, entre elas a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e o ISA.
Homenagem
Em São Gabriel da Cachoeira (AM), o lançamento aconteceu em 22 de fevereiro, na sede do ISA na cidade. O momento foi marcado pela homenagem ao antropólogo Dagoberto Azevedo, um dos autores da Aru, falecido em 2023. Parte de seu trabalho foi dedicada à possibilidade dos encontros – de culturas, de conhecimentos, de indígenas e não indígenas –, ideia essa presente na publicação.
A esposa de Dagoberto, Helena Marques, povo Piratapuya, e as filhas Adele e Rutiene, ao lado do diretor da Foirn, Nildo Fontes, povo Tukano, e de Aloiso Cabalzar, revelaram a placa com o nome do antropólogo indígena: o Telecentro na sede do ISA em São Gabriel da Cachoeira agora leva o nome de Sala Dagoberto Azevedo - Suegʉ. Na placa, a imagem do banco Tukano, que compõe a cultura do povo dessa etnia.
Sobre a revista
Em publicação semestral desde 2017, a Aru – Revista de pesquisa intercultural da Bacia do Rio Negro é um projeto conduzido por Aloisio Cabalzar, tendo como base o trabalho da Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAS). Sua proposta é estimular iniciativas de colaboração e trocas entre conhecedores e pesquisadores indígenas e não indígenas, que atuam em diferentes espaços de produção de conhecimento sobre a Bacia do Rio Negro, seus ciclos de vida e processos de transformação.
Serviço
Lançamento Especial Memoráveis
Loja Floresta no Centro (ISA)
Data: 05/04, às 19h
Endereço: Av. São Luiz, 187 - Galeria Metrópole - Centro Histórico de São Paulo / SP
*Roda de conversa com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré, e com o antropólogo Aloisio Cabalzar.
Faculdade de Saúde Pública da USP
Data: 19/04 - Dia dos Povos Indígenas, às 16h
Endereço: Anfiteatro Paula Souza - Rua Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo / SP
*Roda de conversa com a antropóloga e liderança Francy Baniwa e com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré.
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Filme relata as estratégias de enfrentamento à Covid-19 dos povos que vivem no Alto Rio Negro (AM), na Amazônia
“Neste mundo que vivemos, dentro da nossa terra, existem pessoas que benzem para o bem e para o mal.
Eles se chamam benzedores e kumuã (pajés) na nossa cultura.
Nossos sábios já preveem no destino das pessoas, quem ocupa o papel dos benzedores e pajés.
Assim, ao longo de suas vidas, eles são preparados para atuar e usar essa sabedoria.
Nossos avôs, nossos ancestrais, transmitiram a sabedoria para esses conhecedores.
E assim eles guardam com eles esses benzimentos que foram repassados pelos mais velhos.
Assim nós estamos vivendo nessa terra.
E enquanto estamos com vida nesse plano, a nossa morada é aqui com essa cultura.”
Nildo Fontes, povo Tukano
A narrativa acima – falada na língua Tukano, uma das línguas indígenas dos povos do Alto Rio Negro (AM), na Amazônia, e traduzida para o português – abre o minidocumentário Cura, que trata das práticas e estratégias utilizadas pelos indígenas no enfrentamento à Covid-19.
Dirigido pelo documentarista Christian Braga e pela jornalista Juliana Radler, analista de políticas socioambientais do Instituto Socioambiental (ISA), o filme foi lançado em fevereiro deste ano em São Gabriel da Cachoeira – onde foi filmado.
Em São Paulo, o lançamento será nesta sexta-feira (05/04), na loja Floresta no Centro, do ISA, e em 19 de Abril, Dia dos Povos Indígenas, em parceria com a Escola de Saúde Pública da USP. O filme traz narrativas e vivências de indígenas que atravessaram a pandemia e se fortaleceram mesmo enfrentando a precariedade das respostas oficiais.
Cura está sendo lançado com a a quinta edição da Aru - Revista de Pesquisa Intercultural da Bacia do Rio Negro, Amazônia, e com o podcast A Nova Doença dos Brancos. Juntos, os três produtos compõem o especial Memoráveis: resistência, estratégias e saberes indígenas no combate à Covid-19 no Rio Negro.
Rituais, benzimentos, chás com plantas dos quintais e da floresta, sem dispensar a medicina não indígena e seus recursos, fizeram parte de um conjunto de práticas que, segundo os próprios indígenas e profissionais que trabalham junto a esses povos, salvaram vidas.
Além de ser um importante registro sobre o cenário pandêmico em uma das regiões mais preservadas da Amazônia e em áreas remotas da floresta, o documentário traz a reflexão sobre a necessidade do reconhecimento oficial da medicina indígena.
E propõe, inclusive, os meios para isso, com a criação de unidades que possam unir saberes. Também trata do efeito da exploração predatória do ambiente sobre a saúde do planeta.
As filmagens aconteceram no final de 2020, quando a primeira onda da Covid-19 arrefeceu na região, e tiveram início na comunidade Serra de Mucura, no Rio Tiquié, na Bacia do Rio Negro.
Quem nos conta a maior parte da história é a liderança indígena Nildo Fontes, do povo Tukano, vice-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). A narrativa é complementada pelo antropólogo e assessor do ISA, Dagoberto Azevedo, do povo Tukano, falecido em 2023 e homenageado no documentário.
O filme contou com o conselho editorial formado pelo antropólogo do ISA, Aloisio Cabalzar, Dagoberto Azevedo, Nildo Fontes e Juliana Radler e foi realizado em parceria pelo ISA e Foirn.
Assista ao filme!
Ficha técnica
Direção: Christian Braga e Juliana Radler
Roteiro: Christian Braga
Produção: Juliana Radler
Assistentes de produção: Paulo Desana e Mauro Pedrosa Tukano
Fotografia: Christian Braga
Assistente de fotografia: Paulo Desana
Imagens de apoio: Greenpeace Brasil
Montagem: Fred Siewerdt e Christian Braga
Finalização: Christian Braga
Animação: Brunno Lobato
Entrevistas: Juliana Radler
Tradução/transcrição: Akira Oettinger
Conselho editorial: Aloisio Cabalzar, Dagoberto Azevedo Tukano, Juliana Radler e Nildo Fontes Tukano
Tradução (Tukano-Português) – Dagoberto Azevedo Tukano
Narração de Nildo Damião - defumação no Serra de Mucura no encontro de conhecedores
Serviço
Lançamento Especial Memoráveis
Loja Floresta no Centro (ISA)
Data: 05/04, às 19h
Endereço: Av. São Luiz, 187 - Galeria Metrópole - Centro Histórico de São Paulo / SP
*Roda de conversa com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré, e com o antropólogo Aloisio Cabalzar.
Faculdade de Saúde Pública da USP
Data: 19/04 - Dia dos Povos Indígenas, às 16h
Endereço: Anfiteatro Paula Souza - Rua Dr. Arnaldo, 715 - São Paulo / SP
*Roda de conversa com a antropóloga e liderança Francy Baniwa e com a socióloga e liderança Elizângela Costa, povo Baré.
Notícias e reportagens relacionadas
Conselheiros se reuniram em Brasília para trocar experiências sobre seus territórios e discutir oportunidades para promover o fortalecimento da gestão e proteção territoriais
Em um cenário de redução do desmatamento, porém, de intensificação do risco devido ao avanço das obras infraestrutura e de atividades ilegais nas Áreas Protegidas do Xingu, os conselheiros do Xingu+ se reuniram em Brasília, entre os dias 08 a 11 de março, para debater estratégias de fortalecimento da gestão de seus territórios.
Durante o evento, representantes da Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Rio Iriri (AMORERI), Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Rio Xingu (AMOMEX), Associação Yudjá Mïratu da Volta Grande do Xingu (AIMIX), Instituto Kabu (IK), Associação Floresta Protegida (AFP), Associação Terra Indígena Xingu (ATIX) e Associação Khisedje (AIK), fizeram um intercâmbio de experiências e visões de seus territórios, tomaram decisões e identificaram oportunidades conjuntas, fortalecendo as conexões existentes para promover a gestão e a proteção integrada da Bacia do Xingu.
Lideranças dos povos indígenas Kisêdjê, Juruna, Kayapó, Kawaiwete, Yawalapiti e de ribeirinhos das Reservas Extrativistas da Terra do Meio, participaram do encontro junto com a equipe da Secretaria Executiva da Rede Xingu+*, que atualmente é exercida pelo Instituto Socioambiental (ISA).
A articulação entre os representantes do chamado “Corredor de diversidade socioambiental do Xingu”, uma área de 26 milhões de hectares preservados onde vivem cerca de 25 mil pessoas, é importante para fazer frente às ameaças em curso na região e que impactam direta e indiretamente os povos indígenas e comunidades tradicionais que vivem na região.
Assembleia do Xingu+ 2024
No primeiro dia, os conselheiros definiram a data, as pautas e as comitivas que irão participar do 6º Encontro da Rede Xingu+, que dessa vez será realizado na comunidade São Francisco, na Resex Rio Iriri, Pará. Entre 28 a 31 de maio, os membros do Xingu+ e os seus parceiros irão debater os desafios enfrentados pelos povos da floresta e traçar estratégias para a proteção do Rio Xingu, seus modos de vida e para a preservação da floresta em pé.
Avanço das ameaças ao Xingu
O segundo dia foi dedicado à atualização dos dados de desmatamento na Bacia do Xingu. Para isso, os conselheiros do Xingu+ retomaram o mapa de pressões e ameaças produzido no ano passado, para avaliar as áreas mais impactadas pelo avanço do roubo de madeira, garimpo e de obras de infraestrutura no Xingu - especialmente a Ferrogrão (EF-170), que prevê a ligação do norte do Mato Grosso ao sul do Pará, com objetivo de fortalecer a rota de escoamento de grãos.
A ferrovia irá passar próximo a Terras Indígenas e Áreas Protegidas, como a região do Instituto Kabu, que representa 12 comunidades do povo Mẽbêngôkre-Kayapó distribuídas entre as Terras Indígenas (TIs) Baú e Menkragnoti e duas comunidades da TI Panará.
O território está na área mais impactada pelo traçado da ferrovia e não houve, até o momento, consulta aos povos indígenas associados ao Instituto Kabu: “Não fomos consultados. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) usou um documento que não garante que foi realizado o processo de consulta prévia, livre e informada, conforme previsto na Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho) . Após 7 anos a agência reconheceu o erro deles e enviou um documento pedindo desculpas pro instituto Kabu. Eles precisam pedir desculpas para todos os caciques, crianças, floresta e rios”, lamentou o conselheiro da Rede Xingu+ e relações públicas do instituto Kabu, Mydjere Kayapó.
A analista do Instituto Socioambiental (ISA), Mariel Nakane, destaca que os estudos do projeto da Ferrogrão foram retomados em 2023, após 2 anos de paralisação por conta de decisão liminar no caso da ADI 6553, no Supremo Tribunal Federal. Em julho de 2023, a Rede Xingu+ apresentou subsídios técnicos sobre a retomada do projeto, e em outubro de 2023 ingressou como membro da sociedade civil do GT Ferrogrão, criado pelo Ministério de Transportes para debater os estudos e processos sobre o projeto, completa Mariel Nakane.
São obras com essa, prioritárias para o Estado, que continuam ameaçando a maior floresta tropical do mundo e violando direitos dos povos que ali habitam. No outro extremo do Xingu, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que chegou na região há mais de onze anos, deixa um legado de impactos irreversíveis, como relatou o conselheiro Gilliard Juruna, representante da Associação Yudjá Mïratu, da Volta Grande do Xingu (AIMIX) durante o segundo dia da reunião do conselho do Xingu+:
“Com o hidrograma atual, não está havendo reprodução de peixes abaixo da barragem. Os Tracajás estão morrendo. Os furos estão secando e em processo de erosão. Somos nós que estamos monitorando. As ilhas estão virando terra firme e não há frutas suficientes para os peixes. Estamos vendo peixes com deformação”.
A animação 'Pulsa, Xingu+', lançada no ano passado, ilustra uma proposta de hidrograma produzida pelos pesquisadores do MATI (Monitoramento Ambiental Territorial Independente) da Volta Grande do Xingu. Composto por cientistas locais e acadêmicos, o coletivo monitora diariamente os impactos provocados pela operação de Belo Monte.
Assista à animação!
Fortalecimento da Gestão Territorial e Ambiental do Xingu
“Se a gente quiser melhorar a gestão da nossa terra, de quanto recurso vamos precisar?”, perguntou Pedro Gasparinetti, economista e diretor do Fundo de Conservação Estratégica (CSF).
O Fundo está construindo, em parceria com a Rede Xingu+, a Calculadora de Custos para a Gestão de Terras Indígenas, uma calculadora online que tornará possível quantificar os custos para a implementação dos eixos apontados nos Planos de Gestão Territorial e Ambiental(PGTAs) das Terras Indígenas do Corredor Xingu.
O terceiro dia do encontro foi dedicado à avaliação da última etapa de desenvolvimento da ferramenta, que foi elaborada a partir das despesas passadas de oito Terras Indígenas da Bacia do Xingu, com diferentes projeções, como: mudanças na população e grau de pressões e ameaças. Durante o 6o Encontro da Rede Xingu+, será apresentada a versão final da Calculadora de Custos de Gestão em Terras Indígenas.
Para Winti Khĩsêtjê, conselheiro da Rede Xingu+, a calculadora online vai facilitar muito a construção de orçamentos para captação de recursos de acordo com as prioridades das comunidades. Além da ferramenta de cálculo online, também foi discutida uma proposta de Fundo para o Corredor Xingu, destinado ao apoio à implementação dos PGTAs e Planos de Manejo das Terras Indígenas e Reservas Extrativistas do Xingu.
Corredor de Áreas Protegidas do Xingu: um escudo verde contra a destruição
Se por um lado os empreendimentos de alto impacto socioambiental e as atividades ilícitas violam os direitos dos povos indígenas e tradicionais nas Terras Indígenas e Unidades de Conservação do Xingu, por outro, o Conselho Político do Xingu+ está avaliando junto ao Governo Federal a criação de uma figura de gestão integrada no Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, que garanta não apenas a manutenção dos processos ecológicos ao longo neste imenso território, mas também a proteção e o bem estar dos povos que nele vivem.
No quarto dia do encontro, os conselheiros do Xingu+ receberam Iara Vasco, diretora de criação de manejo de Unidades de Conservação no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Raoni Rajão, diretor de política de controle de desmatamento no Ministério do Meio Ambiente (MMA). A representante do ICMBio reconheceu a importância do Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, que comporta um dos maiores mosaicos contínuos de Terras Indígenas e Unidades de Conservação no planeta, para a conservação da sociobiodiversidade.
Segundo o conselheiro Francisco de Assis, “a Rede Xingu+ fez a gente entender a conexão de uma terra com a outra”. Para a liderança da Resex Rio Iriri, os indígenas e ribeirinhos do Xingu têm a mesma causa e devem lutar unidos.
A Bacia do Rio Xingu compreende uma área de aproximadamente 53 milhões de hectares nos Estados do Pará e do Mato Grosso e abrange uma grande diversidade de povos e ecossistemas, de florestas densas e várzeas do bioma Amazônia até áreas de vegetação típicas do Cerrado. Para Raoni Rajão, representante do MMA, a Rede Xingu+ é uma articulação extremamente importante para conter o desmatamento na região do Xingu. “A partir do momento que uma rede como essa documenta e reúne denúncias ao longo do corredor, você consegue ligar os pontos”, afirmou o diretor de política de controle de desmatamento no Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Com 22 Terras Indígenas e nove Unidades de Conservação, o Corredor é considerado uma das regiões com maior sociobiodiversidade no mundo, abrigando 26 povos indígenas e centenas de comunidades ribeirinhas. Há séculos esses povos tradicionais manejam e protegem suas florestas, que comportam um imenso conjunto de espécies de plantas e animais, algumas ainda desconhecidas pela ciência. O Corredor Xingu tem um papel crucial na proteção da Amazônia e do clima global.
Xingu+ se reúne com órgãos do governo para reivindicar os direitos dos povos da floresta
No quinto e último dia de reunião, a comitiva de conselheiros do Xingu+ foi recebida por André Dias, Diretor do Departamento de Universalização e Políticas Sociais de Energia Elétrica, do Ministério de Minas e Energia. Os conselheiros levaram as demandas de suas comunidades sobre o andamento de instalação de energia fotovoltaica nas aldeias e nas comunidades do Corredor Xingu. Para Winti Khĩsêtjê, a audiência no Ministério de Minas e Energia (MME) foi muito importante, para o xinguanos discutirem com o governo como essas políticas públicas podem chegar às comunidades do Xingu e atenderem as necessidades da população indígena e ribeirinha.
A nossa luta é uma só!
Durante a avaliação da reunião do Conselho do Xingu+, Doto Takak Ire, presidente do Instituto Kabu, afirmou que houve muito aprendizado e troca entre os conselheiros durante os 4 dias de reunião. “Cada dia que passa, a gente fica mais forte. Temos que pensar no futuro, não podemos deixar acabar, temos que dar continuidade para proteger o corredor Xingu. Quem luta vence, quem não luta fica por último. Precisamos ter essa luta conjunta, precisamos ter mais jovens para aprender”.
*A Rede Xingu+, é uma aliança política entre 32 organizações de povos indígenas, de comunidades tradicionais do Xingu e organizações da sociedade civil que atuam em Terras Indígenas e Unidades de Conservação na bacia do Rio Xingu, no chamado Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental.
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