Experiências levadas ao evento articulam conhecimentos indígenas, conservação de paisagens aquáticas e governança territorial em Sítios Ramsar da Amazônia
O Instituto Socioambiental (ISA) participa da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que acontece de 23 a 29 de março, em Campo Grande (MS), levando três frentes de atuação: a pesquisa intercultural com povos indígenas, a conservação de paisagens aquáticas e a governança territorial em Sítios Ramsar na Amazônia.
A participação tem início no dia 24 de março, às 16h, com a atividade “Espécies migratórias no Médio e Alto Rio Negro: conhecimentos e práticas de manejo indígena no Noroeste Amazônico”, no Espaço Conexão Sem Fronteiras, no Parque Estadual das Nações Indígenas. A proposta evidencia o papel dos povos indígenas da região – que abrange territórios no Brasil, Colômbia e Venezuela – na produção de conhecimento sobre ciclos ecológicos e na gestão de seus territórios.
A atividade apresenta a experiência da rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs), que há duas décadas monitora fenômenos como a migração e reprodução de peixes, aves e mamíferos, articulando essas dinâmicas a observações climáticas e aos ciclos anuais da floresta.
Os dados sistematizados pelos próprios pesquisadores indígenas contribuem para o entendimento das dinâmicas ecológicas e para o monitoramento das mudanças ambientais na região. O AIMA Tiago Pacheco, do povo Koripako, da região do Rio Içana, também participa da mesa ao lado de outros pesquisadores.
O ISA também integra a mesa “Paisagens aquáticas, vulnerabilidades e oportunidades: fortalecendo áreas protegidas e Sítios Ramsar para a conservação de espécies migratórias no Brasil”, no dia 27 de março, às 9h, em colaboração com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).
O debate busca construir uma agenda de ações voltadas à conservação de áreas úmidas e paisagens aquáticas, fundamentais para a biodiversidade e a conectividade ecológica, frente a pressões como desmatamento, fogo, mineração e eventos climáticos extremos.
Complementando essa agenda, o ISA participa ainda do evento “Governança Territorial e Conectividade Ecológica: estratégia integrada nos Sítios Ramsar do Rio Negro, Juruá e do Estuário da Foz do Amazonas e seus Manguezais”, no dia 26 de março, às 15h45, no Espaço Brasil (Zona Azul).
A atividade apresentará experiências de governança territorial baseadas em arranjos participativos e articulação interinstitucional, evidenciando contribuições para a manutenção da conectividade ecológica e a conservação de habitats críticos para espécies migratórias.
COP15
A COP15 integra a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), um tratado ambiental das Nações Unidas firmado em 1979, em Bonn, que parte do princípio de que os animais migratórios não reconhecem fronteiras nacionais. Por isso, sua conservação depende de ações coordenadas entre países ao longo de suas rotas e ciclos de vida.
As espécies abrangidas pela Convenção são organizadas em dois anexos: o Anexo I reúne aquelas ameaçadas de extinção, que demandam medidas rigorosas de proteção, como a conservação de habitats e a redução de barreiras às migrações; e o Anexo II inclui espécies que requerem cooperação internacional por meio de acordos de gestão compartilhada.
Realizadas a cada três anos, as Conferências das Partes são o principal espaço de decisão da CMS, reunindo 132 países e a União Europeia para definir prioridades, revisar medidas de conservação e avaliar a inclusão de novas espécies nos anexos do tratado.
Entre os resultados esperados estão também a análise do progresso das Ações Concertadas, que são as iniciativas coordenadas entre países, além da construção de acordos regionais e declarações políticas que reforçam o compromisso global com a conservação da biodiversidade.
A realização da COP15 no Brasil, próximo ao Pantanal, um bioma estratégico para espécies migratórias e atualmente sob forte pressão de mudanças climáticas e incêndios, reforça a urgência de avançar em soluções integradas para a proteção desses ecossistemas e de suas espécies.
ISA na COP15
Espécies migratórias no Médio e Alto Rrio Negro: conhecimentos e práticas de manejo indígena no Noroeste Amazônico
24 de março, terça-feira
16h – 17h
Auditório Arara Azul - Espaço Conexão Sem Fronteiras - Parque Estadual das Nações Indígenas
Governança Territorial e Conectividade Ecológica: estratégia integrada nos Sítios Ramsar do Rio Negro, Juruá e do Estuário da Foz do Amazonas e seus Manguezais
26 de março, quinta-feira
15h45 - 16h35
Espaço Brasil – Zona Azul
Paisagens aquáticas, vulnerabilidades e oportunidades: fortalecendo áreas protegidas e Sítios Ramsar para a conservação de espécies migratórias no Brasil
27 de março, sexta-feira
9h – 10h
Sala Tululú - Espaço Conexão Sem Fronteiras - Casa do Homem Pantaneiro
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